A melhora no regime de chuvas e uma esperada redução no consumo de energia diminuíram as preocupações quanto a um eventual racionamento neste ano. Mas o nível ainda bastante baixo dos reservatórios deve estender os temores sobre o abastecimento de eletricidade do país para 2016, Os reservatórios do SIN terminaram o mês passado com nível de 33% ¬ ante os 35% estabelecidos como meta para o governo para evitar a necessidade de racionamento. Na avaliação do UBS, a premissa do ONS é que, durante o período seco são consumidos cerca de 20 pp dos reservatórios e que um nível de capacidade de 10% no começo de dezembro é suficiente para começar uma nova temporada úmida. Os analistas lembram ainda que diversas consultorias de renome no mercado, como a PSR, alertam que o ONS vem superestimando a capacidade de geração das usinas. O UBS ressalta ainda que há pouca racionalidade econômica na decisão do governo de não racionar neste ano. É previsto que o déficit de geração hídrica fique em 18% em 2015 e em 3% no próximo ano. O percentual diz respeito à diferença entre a garantia física das usinas e a energia efetivamente produzida e tem provocado perdas bilionárias para as geradoras hidrelétricas, que precisam recorrer ao mercado de curto prazo, a preços elevados, para suprir esse intervalo. Na avaliação do banco, o cenário é negativo para todo o setor de geração. A situação é pior para CPFL Energia e AES Tietê, que estão com toda sua capacidade de geração já contratada junto as distribuidoras. Cesp, Cemig, Copel e Light, por outro lado, podem se beneficiar de receitas e margens maiores, na medida em que tem capacidade excedente para vender no mercado de curto prazo. Os analistas lembram ainda que a decisão do governo de estimular a redução voluntária da demanda por energia em vez de racionar é pior para as geradoras. Isso porque, no caso de racionamento, as garantias físicas das usinas são reduzidas, o que, por consequência, também diminuiria os gastos necessários para cobrir o déficit hídrico. (Valor Econômico – 12.05.2015)
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