Mesmo que o contingenciamento de recursos do Orçamento alcance a cifra de R$ 70 bi, a meta de superávit primário do governo central para 2015, de R$ 55 bi, ainda não estará garantida, avaliam economistas. A expectativa é que o corte de despesas seja divulgado até o fim desta semana. Cálculos da equipe da SulAmérica Investimentos indicam que, para atingir a meta do governo central, de 1% do Produto Interno Bruto (PIB), seria necessário um contingenciamento de mais de R$ 85 bi. Como o ambiente político não parece chancelar um corte dessa magnitude, o grupo avalia que o mais provável é que a equipe econômica consiga cortar algo mais próximo de R$ 60 bi a R$ 70 bi, o que levaria a projeção de superávit primário para 0,7% a 0,8% do PIB. Para o Itaú, um contingenciamento inferior a R$ 70 bi surpreenderia negativamente e poderia levar o banco a ajustar seu cenário fiscal para o ano. O mais provável é que o corte fique entre R$ 70 bi e R$ 80 bilhões, sendo que um valor mais próximo do número mais alto deixaria o banco mais confortável com seu cenário. O Itaú estima esforço fiscal de 0,8% do PIB em 2015. Para a equipe do Banco Pine, há dois motivos para contar com um contingenciamento "impressionante", da ordem de R$ 70 bi a R$ 80 bi. Em primeiro lugar está a arrecadação tributária inferior à programação governamental devido a taxas negativas ou muito baixas de crescimento do PIB neste ano. Em segundo, está o reconhecimento de despesas herdadas do ano passado, que são gastos postergados com seguro desemprego, abono salarial, benefícios previdenciários e subsídios. "O fim das chamadas 'pedaladas' é muito bom para a reconquista da credibilidade, mas tem produzido déficits primários do governo central acumulados em 12 meses crescentes", diz a equipe. (Valor Econômico – 19.05.2015)
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