Saíram as regras para a renovação das concessões das distribuidoras de energia que têm contratos vencendo neste ano, entre as quais a CEEE-D. Para especialistas do mercado, as exigências de qualidade, eficiência e finanças tornam muito difícil que a empresa siga como concessionária que leva a eletricidade dos grandes pontos de entrada no sistema até a casa dos clientes. Outras distribuidoras estatais (Cemig, Copel e Celesc) no processo estão com indicadores de qualidade (duração e frequência de interrupções) dentro ou perto das metas. Têm "apenas" problemas financeiros, o que significa que ficariam bem com um injeção de capital. Na visão dos analistas, a estatal teria duas opções: devolver à concessão à Aneel ou abrir mão do controle ao menos da distribuidora – existe outra empresa para as áreas de geração e transmissão, a CEEE-GT. Com valor de mercado estimado entre R$ 1,8 bi e R$ 1,9 bi, seria preciso descontar o total da dívida (cerca de R$ 400 mi) e o ainda gigante passivo trabalhista, sem contar algum passivo fora de balanço. Sobraria para o Estado cerca de R$ 200 mi, metade do valor do déficit mensal das contas públicas. A alternativa para manter a empresa seria o acionista majoritário injetar recursos – alternativa improvável nesse momento de crise. Presidente da CEEE, Paulo de Tarso Pinheiro Machado admite que, à luz da situação atual, a análise está correta: seria impossível manter a concessão. No entanto, afirma que está concluindo um pacote de "medidas drásticas" para "recolocar a companhia distribuidora dentro daquilo que os moldes regulatórios exigem". O executivo prefere não detalhar medidas que ainda não estão "validadas perante o acionista majoritário" – ou seja, combinadas com o governo do Estado. Mas admite que terão de ser "muito fortes, profundas". Diz que serão ações "drásticas, que não têm como referência nenhum período da história da companhia". Mas adverte que a consequência de não adotá-las será "fazer acontecer o decreto", ou seja, não atingir os resultados em dois anos consecutivos ou ao longo de cinco intercalados e ter a concessão cassada. “Como gestor e representante do colegiado diretivo da CEEE, creio na recuperação da empresa, condicionada às decisões que precisam ser tomadas”, concluiu ele. (Zero Hora – 15.06.2015)
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