A forte retração da demanda doméstica em 2015 pode trazer ao menos uma boa notícia para a economia brasileira neste ano. Para alguns analistas, a combinação entre desaquecimento da atividade e desvalorização da taxa de câmbio pode levar o saldo da balança comercial a superar US$ 10 bi em 2015, depois do déficit de US$ 3,9 bi registrado no ano passado - o primeiro desde 2000. Boa parte desse ajuste, porém, vem da redução do volume importado, já que as exportações continuam em queda, com forte piora dos desembarques de produtos básicos, conforme evidenciado pelos dados de julho, divulgados ontem pelo Mdic. No mês passado, a balança comercial do país teve o melhor resultado para julho desde 2012, com saldo de US$ 2,4 bi, principalmente por causa da queda de 24,5% das importações, na comparação com igual período de 2014. Já as exportações caíram 19,5%, com retração em todos os segmentos, embora a queda mais forte, de 22,4%, tenha ocorrido nos desembarques de produtos básicos. Para o diretor de pesquisas econômicas do Bradesco, Octávio de Barros, porém, a expectativa para os preços das commodities é de certa estabilização, especialmente entre os itens agropecuários. O economista afirma que pesquisas internas do banco mostram maior interesse das companhias brasileiras em exportar a produção, até em setores que até então bastante afetados pela competição internacional, como o calçadista. A partir dessa visão, diz, e diante do brutal ajuste do lado das importações, que caíram 19,5% entre janeiro e julho, na comparação com igual período do ano anterior, a expectativa é que o saldo da balança comercial fique em US$ 12,7 bi neste ano e suba para US$ 27 bi em 2016. (Valor Econômico – 04.08.2015)
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