Em meio à desaceleração da economia, a diminuição dos empréstimos do BNDES e o crédito mais caro, o governo vai ter que subir os preços-teto oferecidos nos leilões de geração e transmissão, se quiser colocar de pé os R$ 186 bilhões em investimentos até 2018, conforme anunciado ontem, dizem especialistas ouvidos pelo Valor. O BNDES diminuiu a parcela de itens financiáveis dos projetos de transmissão e de grandes hidrelétricas, de 70% para 50%. Para os projetos de energias renováveis - que incluem eólicas, biomassa e energia solar, o percentual máximo ainda é de 70%. Além da diminuição nos itens financiáveis e do aumento da taxa de juros de longo prazo, o spread de crédito, cobrado pelo banco de acordo com o perfil de crédito de cada empreendedor está bem mais caro, diz Marcelo Girão, chefe da área de project finance para projetos de energia do Itaú BBA. De acordo com Girão, as debêntures de infraestrutura são uma alternativa, mas ainda estão "engatinhando" e precisam ganhar a confiança do mercado. Outros instrumentos, como empréstimos multilaterais, estão sendo utilizados, mas também são incipientes. Empresários já apontam o preço baixo como um impeditivo para atrair oferta para o próximo leilão A-3. As eólicas argumentam que o preço-teto de R$ 184 por MWh para a fonte, apesar de ser 30% maior do que no leilão de mesma modalidade do ano passado, não acomoda o encarecimento do crédito e a variação cambial. Para as térmicas a gás, o preço de R$ 218 por MWh, muito abaixo dos R$ 281 por MWh do leilão da primeira metade do ano, está "totalmente distante da realidade", segundo o diretor financeiro da AES Tietê, Francisco Morandi. (Valor Econômico – 12.08.2015)
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