EDITORIAL Notícia da edição impressa de 19/08/2015 – Jornal do Comércio
Alguns mais extremados resolveram se unir contra construção da usina de Belo Monte, no rio Xingu, no Pará. Um projeto que tem mais de 30 anos e foi debatido, estudado, refeito e usa hoje as mais modernas tecnologias.
O Brasil quer se manter como a sétima economia do mundo, e já foi a quinta. Deve ofertar ao investidor energia, tem que pensar cinco anos para frente. Por isso estamos concluindo ou já em funcionamento Belo Monte, Santo Antônio, Jirau, Estreito e o Complexo do Tapajós.
Depois de muita discussão e argumentos superficiais contra as usinas, eis que a Eletrobras se decidiu e não irá abrir mão da produção hidrelétrica na Amazônia como fonte prioritária de geração de energia. Planejar o Brasil é pensar em energia renovável, farta e barata. Assim, temos dois modelos de exploração dos rios da Amazônia: um que terá como prioridade a produção de riqueza e emprego na região onde são instaladas as usinas, e outro que irá privilegiar a preservação do meio ambiente na geração de energia necessária ao desenvolvimento econômico.
Pensando nisso, o Ministério de Minas e Energia e o do Meio Ambiente estudam um mecanismo para tornar mais rápida as licenças ambientais de projetos considerados estratégicos para geração elétrica. É que há mito e fantasia na discussão dos problemas ambientais e sociais provocados por projetos de hidrelétricas na Amazônia, por exemplo.
Assim, está em estudo um mecanismo de fast track para agilizar e com uma visão melhor os problemas socioambientais. No exterior, o País esteve às voltas com discussão em ONGs, em função de campanha contra as hidrelétricas. Porém, é preciso trazer clareza para a discussão, pois os técnicos do governo insistem em que há muito mito e fantasia nessa discussão. Existe um potencial a construir na região Amazônica e é importante que as instituições sérias se posicionem no debate, aquelas que são neutras podem dar enorme contribuição. O governo federal planeja realizar novo leilão de energia de reserva para o próximo ano. A previsão é que o leilão ocorra em outubro, o chamado leilão A-1.
Em Belo Monte, muito combatida, temos atualmente o maior centro de pesquisa da América Latina em biodiversidade. Isso é muito importante.
Sem hidrelétricas, a opção seria reativar as onerosas e altamente poluidoras usinas térmicas, que foram desligadas pelo governo federal justamente por serem poluidoras e custarem muito para produzir. O complexo de Tapajós prevê a instalação de usinas-plataforma, com baixo nível de alagamento da área no entorno. O problema é que com o risco hidrológico passando para os consumidores, o déficit será bancado pelos usuários a partir das bandeiras tarifárias, sempre que os níveis dos reservatórios das hidrelétricas impedirem as usinas de produzirem toda a eletricidade exigida delas conforme suas garantias físicas.
Mas, da mesma forma, quando houver excedente de geração, os ganhos que a usinas teriam no mercado secundário também serão revertidos para as contas de luz. Enfim, como sempre, a virtude está no meio.
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