Com a queda acentuada do consumo de energia ao longo do ano, a situação geral do sistema elétrico brasileiro é satisfatória, mas o panorama do Nordeste, isoladamente, é alarmante. De acordo com dados do ONS, o nível médio de armazenamento das hidrelétricas da região já recuou mais de 2,5 pontos percentuais em setembro, ficando abaixo de 16%. A hidrelétrica de Sobradinho, no rio São Francisco, responsável por 58,2% da capacidade de acumulação de água das usinas do Nordeste, está com 10% de armazenamento. Com a formação do fenômeno climático "El Niño", cuja uma das características é a falta de chuvas no Nordeste, não há previsão de qualquer chuva significativa na região nos próximos meses. Diante desse cenário, segundo especialistas ouvidos pelo Valor, há risco de os reservatórios hidrelétricos nordestinos chegarem a novembro com estoque abaixo de 10% - patamar em que não há condições operacionais para as usinas funcionarem - e de apagões pontuais na região. Nessas circunstâncias, o fornecimento de energia para o Nordeste seria feito basicamente por termelétricas e eólicas da região e por importação do Sudeste e do Norte. Há, porém, limites técnicos de intercâmbio entre as regiões. Para alguns técnicos, existe o risco de o sistema elétrico nordestino entrar em colapso, com a ocorrência de blecautes, principalmente durante o verão. O governo descarta essa possibilidade. O problema é que as duas principais medidas para minimizar o quadro são negativas do ponto de vista político: religar térmicas mais caras na região ou determinar um racionamento apenas no Nordeste, principal base eleitoral da presidente Dilma Rousseff. (Valor Econômico – 21.09.2015)
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