Após crescer por quase três anos com médias superiores à nacional, o varejo no Nordeste experimenta desaceleração intensa em 2015, especialmente neste segundo semestre. Em maio, o indicador de vendas em volume da Pesquisa Mensal do Comércio (PMC) acumulado em 12 meses entrou em terreno negativo, como no resto do país. Desde então, fica cada vez mais estreita a diferença em relação à média nacional. O desempenho da massa salarial, uma variável importante para o setor, que corresponde em parte à renda disponível para o consumo, já é pior. De acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, ela caiu 0,6% de abril a junho, em relação ao mesmo intervalo de 2014, contra alta de 1,6% no total. A demanda por crédito, outro indicador que os varejistas acompanham de perto, passou a ser neste ano a menor entre as cinco regiões, conforme a Serasa Experian. Para economistas, o impacto do ajuste fiscal sobre os repasses federais aos Estados, a redução de programas sociais do governo e a deterioração do mercado de trabalho devem afetar o consumo na região nos próximos meses. "No ano passado, quando boa parte dos Estados já estava sentindo os efeitos da crise, o Nordeste não sofria tanto, porque os gastos do governo ainda estavam muito elevados", diz Alexandre Rands, da Datamétrica, consultoria baseada no Recife. (Valor Econômico – 21.09.2015)
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