As exportações somaram US$ 16,148 bilhões e as importações, US$ 13,204 bilhões - Márcio Fernandes/Estadão
Importações despencam em setembro, saldo no acumulado do ano vai a US$ 10,2 bi e governo eleva previsões. Resultado melhora contas externas brasileiras e reduz a dependência do país de capitais estrangeiros.
Com as importações caindo em ritmo equivalente a mais que duas vezes o das exportações, a balança comercial brasileira fechou setembro com mais um superavit comercial expressivo, de US$ 2,944 bilhões.
No acumulado em nove meses, o saldo comercial já está positivo em US$ 10,2 bilhões, o que levou o Mdic (Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior) a aumentar sua projeção de saldo para o ano para valor próximo a US$ 15 bilhões.
Até então, o governo trabalhava com a expectativa de que a balança comercial fechasse 2015 com saldo positivo de até US$ 12 bilhões.
"É um resultado fantástico, pois no ano passado tivemos deficit de US$ 4,5 bilhões", disse o ministro Armando Monteiro Neto (Desenvolvimento). Ele previu que, em 2016, o saldo deve chegar a US$ 25 bilhões.
O aumento do saldo comercial tem sido acompanhado por uma forte redução da corrente de comércio.
CRISE E DÓLAR
De um lado, as importações têm despencado por causa da queda da demanda doméstica por bens e serviços estrangeiros, em meio ao desaquecimento da economia, além da alta do dólar.
Em setembro, as compras do exterior caíram 32,7% na comparação com o mesmo mês de 2014, para US$ 13,2 bilhões. Trata-se do menor nível para o período desde 2009, quando o comércio sofria com a crise global.
O valor das exportações, por outro lado, tem sofrido com a redução dos preços das principais commodities, sobretudo minério de ferro e soja. O movimento reflete a desaceleração da China e, no caso da soja, uma sobreoferta do produto no mercado internacional.
Os preços dos produtos manufaturados também têm caído, mas, nesse caso, as causas não são tão claras.
Em valor, as vendas externas encolheram 13,8% no mês, somando US$ 16,1 bilhões. No ano, a queda acumulada é de 16,3%. O fraco desempenho ocorre a despeito de o volume físico de exportações estar crescendo.
Por bloco econômico, as vendas para a China foram as únicas que apresentaram alta, de 23%.
O ministério afirmou que o desempenho foi influenciado pelo embarque de uma plataforma de petróleo, no valor de US$ 394 milhões.
AJUSTE EXTERNO
No período janeiro-setembro de 2014, o país registrava um deficit em sua balança de US$ 742 milhões.
A virada no saldo comercial tem contribuído para o rápido ajuste das contas externas brasileiras, o que reduz a dependência do país de capitais estrangeiros.
Impactado também pelo recuo de outras despesas, como com viagens internacionais e remessas de lucro, o chamado deficit em transações correntes deve fechar o ano em 3,7% do PIB, segundo estimativas feitas pelo Banco Central.
Em dezembro de 2014, esse deficit era de 4,2% do PIB (Folha de S.Paulo, 2/10/15)
Localização
(51) 3012-4169
aeceee@aeceee.org.br