Algumas distribuidoras de energia podem ter de solicitar à Aneel revisão tarifária extraordinária no início de 2016 para compensar o efeito negativo do custo da energia contratada no leilão de 29 usinas existentes, na quarta-feira. Na prática, a partir de janeiro, as distribuidoras pagarão algo próximo de R$ 124,88 por MWh - preço médio do leilão - por essa energia, mas serão remuneradas, até a data do reajuste tarifário anual, pelas cotas relativas a esses empreendimentos, definida na Medida Provisória 579, de cerca de R$ 30/MWh. "Para algumas empresas que têm reajuste mais afastado do momento atual, isso pode gerar um problema de pagamentos e de falta de caixa para honrar os compromissos. Nesse caso, estamos interagindo com a Aneel para verificar a possibilidade de essas empresas solicitarem uma revisão tarifária extraordinária para haver um concatenamento entre o aumento da despesa e o reconhecimento na tarifa", afirmou o presidente da Associação Brasileira de Distribuidores de Energia Elétrica (Abradee), Nelson Leite, ao Valor. Segundo ele, a Abradee já iniciou conversas com a Aneel sobre o impacto do leilão para as distribuidoras. Agora, será vista, "caso a caso", a situação de cada empresa. "Obviamente, existe um descasamento que afeta o fluxo de caixa, e as distribuidoras já estão numa situação difícil desde 2013, devido à exposição involuntária", disse Ricardo Savoia, diretor de Regulação da consultoria Thymos Energia. Para Laura Souza, advogada do Machado Meyer, enfrentar um reajuste extraordinário não é o cenário ideal para o governo, que deve esperar antes para ver como o mercado se comporta em relação à repactuação do risco hidrológico. Segundo a Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), ainda não é possível contabilizar o efeito generalizado do preço da energia negociada no leilão no caixa das distribuidoras. (Valor Econômico – 27.11.2015)
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