A redução das emissões de GEE no Brasil exigirá planejamento no setor de energia ao longo dos próximos anos, seja para manter a diversificação da matriz elétrica, seja para melhorar o perfil das térmicas usadas para gerar energia elétrica, seja para destravar investimentos das usinas de etanol. Em 2014, apesar da queda de cerca de 20% no desmatamento na Amazônia, as emissões do país ficaram estagnadas em relação ao ano anterior, segundo estimativa do Observatório do Clima. O bom resultado da preservação ambiental foi anulado pela alta na quantidade de carbono lançada ao ar pelo setor de energia. Houve aumento de 23%, por conta do acionamento de usinas termelétricas fósseis para fazer frente à seca. André Ferretti, gerente de estratégias de conservação da Fundação Grupo Boticário e coordenador-geral do Observatório do Clima reforça que "é preciso diversificar nossa matriz energética, investindo em fontes limpas como a eólica e o etanol de segunda geração." Há uma oportunidade no caso das termelétricas. Muitas das que vêm gerando energia foram contratadas em 2005 e 2006, quando o governo federal tinha dificuldade para licitar grandes empreendimentos hidrelétricos e quando e energia eólica não respondia nem por 1% da matriz. Naquele momento, nos leilões, foram firmados contratos com térmicas a óleo combustível ou de gás natural com baixa eficiência. Além de poluentes, elas têm alto custo, chegam a gerar a mais de R$ 900 o MWh - enquanto a hidrelétrica ou eólica gera a menos de R$ 160 o MWh. Para o presidente da Chesf, José Carlos de Miranda Farias, na próxima década, quando os contratos das termelétricas a óleo combustível para o mercado cativo expiram, pode-se permitir que essas usinas, mais poluentes e caras, sejam substituídas por usinas a gás natural, com o insumo proveniente do pré-sal. (Valor Econômico – 27.11.2015)
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