Notícias do setor
17/12/2015
Leilão de energia reduz o risco de colapso

EDITORIAL. “Leilão de energia reduz o risco de colapso”. O Estado de São Paulo.

São Paulo, 16 de dezembro de 2015.

O leilão de energia realizado pela Câmara de Compensação de Energia Elétrica

(CCEE) negociou 1.954 MW médios num montante de R$ 6,9 bilhões, assegurando

a grandes distribuidoras melhores condições de atender os consumidores.

Predominou a venda de eletricidade gerada pela queima de bagaço de cana, gás

natural e cavacos ou resíduos de madeira.

A energia térmica continua ajudando a reduzir o risco de um colapso da oferta nos

próximos três anos. O regime pluviométrico melhorou na Região Sudeste, a maior

consumidora, mas não a ponto de permitir uma redução nas tarifas, pois nos

próximos anos será preciso quitar as dívidas assumidas para corrigir os equívocos

do modelo de modicidade tarifária pretendido pelo governo Dilma Rousseff.

A maior compradora foi a Eletropaulo, que adquiriu 55,1% do total da energia

oferecida no leilão. A partir de janeiro, a distribuidora não contará mais com o

suprimento maciço da AES Tietê. Com a energia comprada será mais viável atender

bem as regiões em que atua, desde que faça os investimentos nas redes a ela

concedidas. Outras grandes compradoras foram Light, Ampla, Coelba, Celpa e CEA.

A situação do setor elétrico na Região Nordeste é bem mais complicada, dado o

esgotamento dos reservatórios das usinas hidrelétricas por causa da estiagem.

Os deságios pequenos são explicáveis pela cautela com que agem as empresas do

setor. Mas as compras indicam que elas preveem aumento da demanda, apesar das

tarifas elevadas e da intensidade da recessão.

Não houve oferta de energia a prazo de cinco anos, mas o presidente da CCEE, Rui

Altieri, considerou que o resultado do certame foi satisfatório.

O grupo BTG, que vem se desfazendo de ativos, foi o maior vendedor, seguindo-se a

GeraMamoré, do Grupo GDF Suez, e a Votener, do Grupo Votorantim.

O resultado favorável do leilão de energia existente não significa que os problemas

do setor estejam bem encaminhados.

O governo já avalia a possibilidade de adiar o primeiro leilão de energia marcado

para 2016, para o fornecimento de 47,6 mil MW a partir de 2021, “um recorde

nacional e mundial”, segundo o presidente da Empresa de Pesquisa Energética

(EPE), Maurício Tolmasquim. Neste caso, o prazo de cinco anos para entrega de

energia é dilatado e as distribuidoras terão de avaliar a força do mercado consumidor

após uma longa recessão.

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