Notícias do setor
17/02/2016
Mercado prevê déficit primário maior e eleva estimativa para a dívida

Analistas de mercado elevaram as projeções para o déficit primário deste e do próximo ano e baixaram as expectativas de resultado positivo em prazo mais longo, segundo dados do boletim Focus, do BC. Como consequência, veem um endividamento público ainda maior no futuro. Para 2016, a projeção agora é de um déficit primário de 1,1% do PIB, ante 1% previsto antes. Para 2017, a expectativa passou de déficit de 0,10% para um resultado negativo de 0,39%. A previsão de um resultado negativo em 2017 é recente. Essa expectativa vem se deteriorando à medida que caem as projeções para o PIB e, consequentemente, a previsão de arrecadação tributária. No ano passado, o déficit foi de 1,88% do PIB. O mercado ainda vê resultado primário positivo a partir de 2018, mas em menor escala. A estimativa agora é de superávit equivalente a 0,50% do PIB naquele ano, ante 1% previsto na semana anterior. Para 2019, a projeção passou de 1,13% para 1% e, 2020, de 1,7% para 1,5%. Aumentaram as projeções sobre a dívida líquida do setor público, que passaram de 40,20% para 40,7% neste ano; de 43% para 44% em 2017, e de 43,25% para 44,10% em 2018. As previsões para 2019 e 2020 foram mantidas em 42,5% e 43%, respectivamente. Em 2015, essa relação ficou em 36%. A piora das expectativas para o resultado primário neste e nos próximos anos ocorre em meio às discussões no governo a respeito de uma mudança no regime fiscal, pela qual a meta de superávit seria substituída por um limite para o aumento das despesas e uma banda de flutuação para o primário, que passaria a variar de acordo com a receita. Alguns analistas criticam a iniciativa argumentando que a mudança abriria espaço para um ajuste fiscal mais frouxo, que, em vez de baixar, elevaria a dívida pública. Outros chamam atenção para o fato que, para ter sucesso, a banda fiscal necessitaria vir acompanhada de reformas estruturais, como a da Previdência, e de medidas que acabem com a rigidez do gasto público, ambas regras que precisam de aprovação do Congresso, onde a base do governo é fraca. A mediana das projeções para o IPCA em 2016 subiu de 7,56% para 7,61%. Para 2017 a estimativa continuou em 6%. Ao mesmo tempo, a estimativa para o PIB deste ano passou de queda de 3,21% para retração de 3,33%. Para o ano que vem, a projeção foi de alta de 0,60% para aumento de 0,59%. (Valor Econômico – 16.02.2016)

 

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