As usinas termelétricas deixaram de receber aproximadamente R$ 2 bi na liquidação do mercado de curto prazo de novembro, concluída na semana passada, segundo um levantamento feito pela Abraget. Conforme Xisto Vieira Filho, presidente da associação, a situação das usinas é grave, pois uma parcela significativa desse montante foi utilizada na compra de combustíveis para que as usinas pudessem gerar energia. Sem o recebimento dos montantes integrais há meses, as térmicas estão tendo que recorrer a empréstimos bancários para pagar as despesas. A CCEE contabilizou R$ 6,3 bi nessa liquidação, que incluiu também os montantes de outubro. No entanto, só foram pagos R$ 2,47 bi, uma inadimplência de R$ 3,83 bi ou 61%. As termelétricas teriam direito ao recebimento de R$ 2,27 bi, mas só receberam cerca de R$ 270 mi, menos de 12% do total. Isso aconteceu porque estavam em vigor algumas liminares de empresas que pediam a prioridade no recebimento de seus respectivos créditos. "Esses recursos seriam nada menos que para pagar combustíveis. Estão obrigando as térmicas a despacharem e não estão sendo pagas, precisando se virar para pagar os combustíveis", disse Vieira. Muitas empresas estão sendo afetadas por essa inadimplência, como a Petrobras, cujas termelétricas respondem pela maioria dos créditos que teriam que ser liberados na liquidação. Ao mesmo tempo em que estão deixando de receber, as companhias são obrigadas a gerar energia quando despachadas pelo ONS. Se deixarem de produzir energia, podem ser multados. "Se o gerador não produzir e for despachado, ele é penalizado pela Aneel, é obrigado a gerar", apontou Vieira. Segundo Vieira, a ideia é conseguir uma nova liminar, pedindo também, desta vez, para não serem penalizadas caso não tenham condições financeiras de comprar os combustíveis para geração de energia elétrica. Outro pleito é pelo uso do saldo positivo na Conta Centralizadora de Recursos das Bandeiras Tarifárias. "Já que a bandeira era vermelha porque as térmicas estavam despachadas, então utilizem isso para pagar as térmicas", disse. (Valor Econômico – 18.02.2016)
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